Na terceira edição do Clube de Pedais Velouria, entramos em um território completamente diferente dos dois primeiros pedais. Depois do fuzz do The Soldier e do treble booster do Treblemaster, chegou a vez de explorar um dos efeitos mais expressivos da história: o envelope filter.

O Orbitron nasceu a partir do Mu-Tron III, pedal lançado pela Musitronics em 1972 e desenvolvido por Mike Beigel. O circuito se tornou uma das grandes referências desse tipo de efeito e ajudou a transformar o filtro controlado pela dinâmica do instrumento em uma ferramenta musical por si só.

Diferente de um wah tradicional, em que o músico movimenta fisicamente um pedal para controlar a frequência do filtro, o envelope filter reage ao próprio sinal que entra no circuito. A intensidade da palhetada, o volume do instrumento e a maneira de tocar passam a determinar o movimento do filtro.

É justamente essa interação que torna o efeito tão particular. Uma mesma regulagem pode responder de maneiras completamente diferentes dependendo da execução. Notas suaves produzem movimentos mais discretos, enquanto ataques fortes fazem o filtro abrir com muito mais intensidade.

O resultado pode passar por sons arredondados e quase vocais, ataques extremamente pronunciados e aquele caráter funky imediatamente reconhecível dos envelope filters clássicos. No baixo, o efeito ganha ainda outra dimensão, aproveitando a região grave do instrumento para criar movimentos grandes e extremamente orgânicos.

Foi essa personalidade que buscamos no Orbitron. Partimos da ideia do Mu-Tron III e adaptamos o circuito para funcionar muito bem tanto com guitarra quanto com contrabaixo, preservando principalmente aquilo que torna esse tipo de efeito tão interessante: a relação direta entre a dinâmica do músico e a resposta do pedal.

Mais do que simplesmente aplicar uma modulação sobre o sinal, o Orbitron reage à maneira de tocar. Isso faz com que o próprio músico passe a controlar o efeito através da mão, explorando diferentes ataques, volumes e articulações.

Com o Orbitron, a terceira edição também começou a mostrar com mais clareza a amplitude que o Clube poderia ter. O projeto não precisava ficar restrito a fuzzes, drives ou boosters obscuros. Qualquer circuito interessante, com história e personalidade suficiente para ser redescoberto, poderia se transformar em uma nova edição.