No final de 2019, o Clube de Pedais Velouria entrou pela primeira vez no território dos grandes amplificadores de high gain.

O SLO That Tone nasceu a partir dos pré amplificadores do Soldano SLO100 e do Soldano Avenger, dois amplificadores diretamente ligados à transformação do som de guitarra de alto ganho a partir do final dos anos 80.

O SLO100 foi desenvolvido por Mike Soldano em 1987 e rapidamente se tornou uma referência. Sua proposta combinava uma quantidade de ganho que ainda era incomum naquele período com definição, resposta rápida ao ataque e uma saturação extremamente rica em harmônicos.

Era possível produzir níveis enormes de distorção sem transformar completamente o sinal em uma massa indefinida.

Essa combinação acabou exercendo enorme influência sobre o desenvolvimento dos amplificadores de high gain que surgiriam nas décadas seguintes.

O Avenger explorou a mesma linguagem de uma maneira mais direta. Construído como um amplificador de um único canal, ele concentra sua proposta justamente no caráter de overdrive associado ao SLO, eliminando recursos que não eram necessários para quem procurava essencialmente aquele som de ganho elevado.

Foi essa região do circuito que serviu como ponto de partida para o SLO That Tone.

Em vez de construir apenas mais uma distorção convencional, a ideia era trazer para um pedal o comportamento de um pré amplificador pensado desde o início para produzir saturação pesada.

Isso aparece principalmente na maneira como o ganho se desenvolve.

Existe bastante compressão e sustain disponíveis, mas o ataque permanece presente. Riffs com palm mute conservam definição, notas individuais mantêm contorno mesmo em regulagens mais saturadas e acordes continuam revelando boa parte de sua estrutura.

A equalização de três bandas, com controles de Bass, Mid e Treble, também permite trabalhar o pedal de uma maneira próxima à lógica de um amplificador. É possível construir desde respostas mais secas e focadas nos médios até timbres maiores, com graves pronunciados e agudos mais agressivos.

O controle de Gain determina até onde o pré amplificador é empurrado, enquanto o Level permite adequar o volume de saída ao restante do setup.

Essa combinação transforma o SLO That Tone em algo bastante diferente dos pedais que haviam passado pelo Clube até aquele momento.

Não estamos falando de um fuzz vintage, de um booster ou de um overdrive de baixo ganho. A proposta aqui é saturação moderna, densa e articulada, construída a partir de uma arquitetura que ajudou a estabelecer o vocabulário do high gain contemporâneo.

Com o SLO That Tone, encerramos 2019 levando o Clube para mais um território diferente e mostrando novamente que a escolha dos circuitos nunca esteve presa a uma única época ou categoria de efeito.

Do fuzz dos anos 60 ao high gain dos anos 80, o que sempre importou foi encontrar projetos com personalidade suficiente para merecer uma nova interpretação.