Na edição de janeiro e fevereiro de 2024 do Clube de Pedais Velouria, revisitamos um pedal que conseguiu unir a brutalidade dos fuzzes do final dos anos 60 a uma abordagem muito mais flexível e moderna.

O Hypersonic Fuzz nasceu a partir do Boss FZ-2 Hyper Fuzz, pedal produzido nos anos 90 e que se tornou especialmente cultuado entre músicos interessados em sonoridades pesadas.

O FZ-2 possui suas raízes na escola do Univox Super Fuzz, circuito conhecido pela enorme quantidade de saturação, pelos harmônicos de oitava e por uma equalização capaz de criar timbres extremamente agressivos.

É um tipo de fuzz bastante diferente das arquiteturas mais arredondadas e dinâmicas dos anos 60.

Aqui o sinal é comprimido com força.

Os graves podem assumir proporções enormes.

Os agudos ganham uma textura serrada e metálica.

E, no meio dessa saturação, surgem harmônicos que fazem determinadas notas parecerem carregadas de uma oitava superior.

Esse comportamento é uma das razões pelas quais essa família de circuitos encontrou um lugar tão natural em estilos pesados.

Quando utilizado em riffs simples e afinações mais baixas, o fuzz produz grandes blocos de saturação, com uma quantidade enorme de peso e sustain.

O Boss FZ-2, no entanto, foi além da receita clássica.

Ele adicionou uma equalização de duas bandas com controles de Bass e Treble, permitindo moldar de maneira muito mais profunda o espectro do fuzz.

Isso faz uma diferença enorme em um circuito tão saturado.

É possível aumentar os graves para criar uma parede sonora gigantesca, abrir os agudos para obter mais ataque ou equilibrar as duas regiões para preservar definição mesmo com grandes quantidades de ganho.

O pedal original também possui dois modos de fuzz.

Cada um oferece uma resposta diferente e permite explorar variações daquela mesma arquitetura agressiva e rica em harmônicos.

Mas existe ainda uma terceira possibilidade que tornou o FZ-2 particularmente interessante.

O modo Boost transforma o circuito em um poderoso estágio de ganho.

Nesse modo, a proposta muda completamente.

Em vez de produzir toda a saturação dentro do pedal, o FZ-2 pode ser usado para aumentar fortemente o sinal e empurrar o amplificador ou outro pedal colocado depois dele.

No circuito original, entretanto, o controle de Gain deixa de atuar quando o modo Boost é selecionado.

Foi justamente nesse ponto que fizemos uma das principais alterações do Hypersonic Fuzz.

Nossa versão mantém o caráter do circuito original, mas torna o modo Boost mais versátil, permitindo controlar a quantidade de ganho também nessa configuração.

Isso transforma o boost em uma ferramenta muito mais flexível.

Ele pode ser utilizado de forma mais moderada para acrescentar presença e empurrar levemente o próximo estágio ou levado para regiões muito mais intensas, fazendo um amplificador já saturado comprimir e gerar ainda mais harmônicos.

Os controles de Bass, Treble, Gain e Level permanecem disponíveis para moldar uma faixa enorme de respostas.

Nos modos de fuzz, o Hypersonic pode produzir desde texturas cortantes e cheias de oitava até graves massivos e grandes paredes de saturação.

No modo Boost, ele assume outra função e passa a trabalhar diretamente sobre o comportamento do restante do setup.

Essa variedade ajuda a explicar por que o FZ-2 acabou ultrapassando sua vida comercial relativamente curta.

Depois de ser descontinuado, o pedal encontrou uma nova geração de usuários, especialmente entre bandas de stoner, doom e outras vertentes em que peso, textura e grande quantidade de graves fazem parte fundamental do timbre.

No Hypersonic Fuzz, quisemos preservar justamente aquilo que tornou o projeto tão particular, mas aproveitando a oportunidade para ampliar uma das funções que considerávamos mais interessantes.

Na edição de janeiro e fevereiro de 2024 do Clube, trouxemos de volta um fuzz que pode ser enorme, agressivo e completamente exagerado, mas que também esconde dentro da mesma caixa um poderoso boost capaz de transformar tudo aquilo que vem depois dele.

Um circuito com raízes no final dos anos 60, reinterpretado nos anos 90 e revisitado novamente pelo Clube décadas depois.