Na edição de julho e agosto de 2020 do Clube de Pedais Velouria, revisitamos um dos circuitos de distorção mais importantes e reconhecíveis da história dos pedais: o ProCo RAT.

Desenvolvido no final dos anos 70, o RAT surgiu em uma época em que as fronteiras entre overdrive, distorção e fuzz ainda estavam sendo definidas.

Essa posição entre diferentes territórios acabou se tornando justamente uma das maiores qualidades do circuito.

Com pouco ganho, o RAT pode produzir uma saturação relativamente aberta e seca, funcionando quase como um overdrive mais agressivo. Conforme o controle de distorção aumenta, o circuito entra em uma região mais comprimida, densa e carregada de harmônicos.

No extremo, começa a encostar claramente no universo dos fuzzes.

O Ratzinger nasceu a partir dessa arquitetura, mantendo como referência principal a maneira bastante particular como o RAT gera sua saturação.

O coração do circuito está em um estágio de ganho baseado em amplificador operacional, seguido por clipping através de diodos. Essa combinação produz uma distorção firme, com ataque bastante evidente e uma textura que permanece agressiva mesmo quando o ganho não está no máximo.

Outro elemento fundamental é o controle de filtro.

Em vez de funcionar como um tone tradicional, ele atua principalmente sobre a região aguda depois da distorção. Isso permite partir de um som aberto, cortante e bastante presente até uma resposta mais fechada, escura e encorpada.

Essa simplicidade ajuda a explicar a enorme versatilidade do circuito.

Com menos distorção e o filtro mais aberto, o pedal pode servir como um drive seco e articulado.

Aumentando o ganho, aparecem mais compressão, sustain e densidade harmônica.

Com regulagens extremas, a saturação ganha uma textura quase de fuzz, especialmente quando combinada com captadores fortes ou quando o pedal recebe um sinal já saturado.

É também um circuito que responde muito bem a empilhamentos.

Boosters e overdrives colocados antes do RAT podem alterar drasticamente sua resposta, mudando a quantidade de graves que chega ao estágio de ganho e a forma como o clipping acontece.

Isso fez com que o circuito se tornasse presença constante em setups muito diferentes ao longo das décadas, passando por rock, punk, grunge, stoner, metal e inúmeras outras variações.

No Ratzinger, a ideia foi justamente explorar essa capacidade de ocupar mais de uma função dentro da cadeia.

Ele não precisa ser apenas uma distorção de alto ganho.

Dependendo da regulagem, pode funcionar como drive, distorção principal, boost saturado ou até como uma fonte de fuzz mais controlada.

A edição de julho e agosto de 2020 trouxe para o Clube um circuito extremamente conhecido, mas que continua interessante justamente porque sua arquitetura simples permite uma quantidade enorme de aplicações.

O RAT atravessou décadas sem depender de uma única sonoridade.

O Ratzinger nasceu dessa mesma ideia.