Na edição de julho e agosto de 2021 do Clube de Pedais Velouria, fizemos algo diferente.
Em vez de escolher apenas uma versão de um circuito, revisitamos quatro receitas distintas do Big Muff, permitindo que cada participante escolhesse qual delas gostaria de receber.
As opções foram Black Russian, Violet Ram’s Head, Civil War e Op-Amp.
Embora todos façam parte da enorme árvore genealógica do Big Muff, tratá-los simplesmente como quatro versões do mesmo som seria ignorar justamente aquilo que torna a história desse circuito tão interessante.
Ao longo das décadas, mudanças de componentes, valores, fábricas e até da própria arquitetura eletrônica produziram Muffs com personalidades bastante diferentes.
O Violet Ram’s Head pertence à família dos Ram’s Head produzidos nos anos 70. Essa versão ficou conhecida pela combinação entre sustain, definição e uma resposta particularmente musical, conservando a grande quantidade de saturação típica do Muff sem transformar completamente as notas em uma massa indistinta.
O Op-Amp representa uma mudança muito mais radical.
No final dos anos 70, a tradicional arquitetura baseada em quatro transistores foi substituída por um circuito construído em torno de amplificadores operacionais. O resultado preservava a ideia fundamental do Big Muff, mas apresentava uma textura mais dura, agressiva e direta, especialmente interessante para grandes paredes de guitarra e riffs pesados.
Já o Civil War pertence ao início da fase russa do Big Muff.
Ele apresenta uma resposta grande e encorpada, com graves profundos e uma região média que pode parecer mais presente do que em algumas versões americanas. É um Muff capaz de produzir enorme quantidade de sustain sem perder completamente a articulação das notas.
O Black Russian segue outro capítulo dessa produção russa, mantendo o peso e a extensão de graves que se tornaram associados aos Muffs soviéticos, mas com uma personalidade própria dentro dessa família.
São diferenças que podem parecer pequenas quando observamos apenas o diagrama geral do circuito, mas que se tornam bastante evidentes quando os pedais são colocados lado a lado.
A quantidade de ganho muda.
A região grave muda.
A forma como os médios recuam muda.
A textura da saturação também muda.
Foi justamente por isso que decidimos transformar aquela edição em uma escolha.
Cada participante do Clube podia selecionar qual das quatro receitas gostaria de receber, tornando o próprio bimestre uma espécie de pequeno recorte da história do Big Muff.
Além disso, nossas quatro versões receberam um controle de médios.
O Big Muff clássico é conhecido por sua equalização bastante característica, frequentemente associada a uma região média recuada. Isso ajuda a criar aquela enorme sensação de graves e agudos envolvendo a saturação, mas também pode tornar o pedal mais difícil de posicionar em determinadas situações.
Adicionar o controle de Mids permitiu trabalhar essa característica de forma muito mais ampla.
Era possível preservar a resposta cavada tradicional, recuperar médios para aumentar presença dentro de uma mix ou levar o circuito para regiões que os modelos originais simplesmente não ofereciam.
A proposta daquela edição não era decidir qual Big Muff era o melhor.
Era justamente mostrar que não existe apenas um Big Muff.
O circuito atravessou décadas, países e diferentes períodos de produção, acumulando pequenas e grandes transformações pelo caminho.
Na edição de julho e agosto de 2021, escolhemos quatro desses capítulos e colocamos a decisão nas mãos de quem fazia parte do Clube.
Black Russian, Violet Ram’s Head, Civil War ou Op-Amp. Quatro maneiras diferentes de chegar àquela enorme parede de fuzz que transformou o Big Muff em um dos circuitos mais importantes da história dos pedais.
