Na edição de julho e agosto de 2023 do Clube de Pedais Velouria, voltamos nossa atenção para uma das sonoridades mais importantes da história da guitarra elétrica.
O Wanderer nasceu como nossa interpretação do Ramble FX Marvel Drive, um pedal desenvolvido para reproduzir em formato compacto o comportamento dos clássicos amplificadores Marshall Plexi.
Mais especificamente, a proposta do circuito parte de uma característica muito particular dos antigos Marshall de quatro entradas.
Nesses amplificadores, os canais Normal e High Treble possuíam respostas diferentes e podiam ser interligados através de um pequeno cabo. Dessa forma, o guitarrista conseguia misturar as características dos dois canais e encontrar um equilíbrio próprio entre corpo, brilho e saturação.
O Marvel Drive transportou essa lógica para um pedal através de estágios de ganho paralelos e controles independentes para as duas vozes.
Foi justamente essa arquitetura que serviu como ponto de partida para o Wanderer.
O pedal possui controles de High Treble, Normal, Master e Presence.
High Treble trabalha o lado mais brilhante e agressivo da saturação, acrescentando ataque e definição.
Normal traz mais corpo e peso, preenchendo a região grave e média.
A grande graça está em combinar os dois.
Em vez de depender de uma única curva de equalização, o Wanderer permite construir a própria proporção entre essas duas personalidades. É possível usar mais Normal para chegar a um drive cheio e encorpado, aumentar High Treble para obter mais corte e agressividade ou equilibrar ambos para reproduzir aquela sensação clássica de canais jumpeados de um Plexi.
O controle de Master determina o nível geral de saída, enquanto Presence atua sobre a região mais alta do espectro e ajuda a definir o quanto o pedal aparece na frente do amplificador.
Essa combinação abre uma faixa muito grande de sons.
Com regulagens mais contidas, o Wanderer pode reproduzir aquele início de saturação de um amplificador grande sendo empurrado, com ataque aberto e bastante dinâmica.
Aumentando os controles de ganho, aparecem o crunch, a compressão e os harmônicos característicos dos Marshall trabalhando em volumes que normalmente seriam pouco amigáveis para uma sala pequena.
É justamente aí que está a proposta de um bom Plexi in a Box.
Não se trata apenas de produzir distorção, mas de reproduzir a forma como aquele tipo de amplificador reage.
A guitarra continua respondendo à intensidade da palhetada, acordes mantêm definição e o volume do instrumento pode ser usado para passear entre sons mais limpos e saturados.
Essa família de timbres atravessa várias décadas da história do rock.
É possível buscar desde respostas mais abertas e psicodélicas associadas ao final dos anos 60 até crunches mais pesados e agressivos dos anos 70.
O Wanderer entrou no Clube justamente para oferecer essa viagem.
Um circuito baseado em um pedal que levou muito a sério a arquitetura dos Marshall clássicos e que, em 2023, já havia se tornado ainda mais difícil de encontrar após o encerramento das atividades da Ramble FX.
Na edição de julho e agosto de 2023, trouxemos essa ideia de volta em nossa própria interpretação.
Quatro controles e uma enorme parte da história do rock escondida atrás deles.
