Na edição de julho e agosto de 2025 do Clube de Pedais Velouria, voltamos ao final dos anos 60 para resgatar um dos fuzzes britânicos mais estranhos e raros daquele período.

O Fractured Fuzz Sound nasceu a partir do WEM Project V, um circuito que apareceu no final da década de 60 e que seguia um caminho bastante diferente das arquiteturas mais simples que estavam ajudando a definir o fuzz naquele momento.

Enquanto muitos dos grandes clássicos da época eram construídos ao redor de dois ou três transistores, o Project V utilizava uma arquitetura consideravelmente mais elaborada.

O circuito original conta com oito transistores de silício, um indutor e uma série de soluções que faziam dele um projeto surpreendentemente sofisticado para um fuzz daquele período.

Essa complexidade também aparece no som.

O Project V não produz apenas uma camada uniforme de saturação.

Existe uma textura fragmentada, rica em harmônicos e extremamente sensível às regulagens. Dependendo do ajuste, o ataque pode permanecer bastante evidente ou começar a se desfazer dentro da própria distorção.

O sustain também possui um comportamento particular.

Em algumas regiões, o fuzz é cheio e encorpado.

Em outras, as notas assumem uma textura mais seca, rasgada e irregular, quase como se diferentes partes do sinal estivessem competindo entre si.

Foi justamente essa personalidade que serviu como ponto de partida para o Fractured Fuzz Sound.

Nossa interpretação amplia o acesso a alguns dos parâmetros do circuito através dos controles de Volume, Attack, Bias e Edge.

O Volume determina o nível geral de saída.

Attack modifica a maneira como o fuzz reage ao início das notas e a intensidade com que o sinal entra na saturação.

Esse controle permite trabalhar desde respostas mais cheias e sustentadas até ataques mais secos e agressivos.

O Bias leva para fora do circuito uma possibilidade de ajuste especialmente interessante em fuzzes desse tipo.

Alterar o ponto de funcionamento muda a textura da saturação, a compressão e a maneira como as notas sustentam.

Em determinadas posições, o fuzz permanece mais estável e encorpado. Em outras, surgem respostas mais quebradas, fragmentadas e imprevisíveis.

Já o Edge trabalha o lado mais cortante da personalidade do circuito, ajudando a determinar o quanto da aspereza e dos harmônicos superiores aparece no resultado final.

A interação entre esses controles é o que realmente define o pedal.

Não existe apenas uma regulagem correta.

É possível construir um fuzz grande e cheio, trabalhar uma resposta mais seca e recortada ou levar o circuito para regiões em que a textura passa a ser quase tão importante quanto a própria nota tocada.

O Project V também possui uma ligação interessante com a história da música experimental.

Um dos exemplares conhecidos pertenceu a Paul Rudolph, guitarrista ligado aos Deviants e Pink Fairies, e posteriormente ficou associado aos experimentos de guitarra de Brian Eno durante os anos 70.

Essa relação faz bastante sentido quando ouvimos o circuito.

É um fuzz que parece naturalmente inclinado à experimentação.

Pode funcionar perfeitamente para riffs e linhas convencionais, mas começa a revelar sua personalidade de verdade quando o músico explora dinâmica, sustain, feedback e regulagens menos comportadas.

Foi esse lado que buscamos preservar no Fractured Fuzz Sound.

Na edição de julho e agosto de 2025, trouxemos para o Clube um circuito extremamente raro e pouco lembrado, mas que já no final dos anos 60 mostrava que o fuzz poderia ser muito mais do que simplesmente uma maneira de acrescentar distorção.

Uma parede de fuzz fragmentado, agressivo e cheio de personalidade, com controles suficientes para escolher exatamente o tamanho do caos.