Na edição de maio e junho de 2021 do Clube de Pedais Velouria, revisitamos um daqueles circuitos que passaram muitos anos relativamente esquecidos antes de serem redescobertos por uma nova geração de guitarristas.
O Misfit nasceu a partir do Ibanez MT10 Mostortion, pedal produzido no início dos anos 90 e integrante da série 10 da Ibanez.
Apesar do nome sugerir uma distorção pesada, sua personalidade está muito mais ligada aos territórios de baixo e médio ganho.
É um circuito capaz de acrescentar saturação sem destruir completamente a dinâmica e a identidade do instrumento.
Em ajustes mais baixos, o ganho aparece quase como uma extensão do próprio amplificador. O ataque permanece definido, acordes conservam boa separação entre as notas e a saturação responde de maneira natural à intensidade da palhetada.
Conforme o controle de Distortion aumenta, o som ganha corpo, compressão e sustain, mas continua mantendo uma característica aberta que diferencia o Mostortion de vários overdrives mais concentrados na região média.
Uma das principais características do projeto original é justamente sua equalização de três bandas.
Em vez de oferecer apenas um controle geral de tonalidade, o circuito permite trabalhar Bass, Mids e Treble individualmente. Isso torna possível adaptar o comportamento do drive de forma muito mais precisa ao instrumento, ao amplificador e ao restante da cadeia.
Essa flexibilidade transforma completamente a maneira como o pedal pode ser utilizado.
É possível reduzir graves antes de um amplificador já saturado para obter uma resposta mais firme, aumentar médios para colocar a guitarra à frente da mix ou abrir os agudos para recuperar ataque e definição.
Da mesma maneira, uma regulagem mais cheia pode transformar o circuito em um drive encorpado, capaz de funcionar como fonte principal de saturação.
No Misfit, mantivemos justamente essa lógica de controle direto sobre o timbre, com Distortion, Volume, Bass, Mids e Treble.
O resultado é um pedal que não precisa depender de uma única assinatura de equalização para construir sua personalidade.
Ele pode ser discreto, trabalhando quase como um preamp levemente saturado, ou assumir uma função muito mais evidente dentro do setup.
Essa capacidade de se adaptar ajuda a explicar por que o Mostortion acabou se tornando um circuito tão procurado décadas depois de sua produção original. Ele não tenta resolver tudo através de enormes quantidades de ganho. Sua principal força está na maneira como saturação e equalização trabalham juntas.
Na edição de maio e junho de 2021, o Misfit trouxe essa ideia para o Clube.
Um drive extremamente ajustável, dinâmico e capaz de ocupar diferentes posições dentro de uma cadeia, partindo de um circuito que durante muito tempo permaneceu escondido entre alguns dos modelos mais famosos da história da Ibanez.
