Na edição de maio e junho de 2024 do Clube de Pedais Velouria, partimos de um pedal que reúne duas vertentes bastante diferentes de overdrive dentro do mesmo circuito.
O Astrodrive nasceu como nossa interpretação do Barber BUSS, projeto desenvolvido a partir de dois clássicos da Barber Electronics, o Burn Unit e o Direct Drive Super Sport.
A ideia é interessante justamente porque não estamos falando apenas de duas quantidades diferentes de ganho.
Cada lado possui sua própria personalidade.
O Burn Unit pertence à escola dos overdrives inspirados na resposta de amplificadores Dumble.
É aquele tipo de saturação que busca preservar bastante da dinâmica do instrumento, com médios ricos, sustain e uma resposta muito sensível ao ataque da palhetada e ao volume da guitarra.
Com menos sinal entrando no circuito, é possível trabalhar em uma região mais aberta e suave.
Ao aumentar o volume da guitarra ou tocar com mais intensidade, a saturação aparece com mais força, trazendo compressão e uma textura mais encorpada.
Essa interação faz com que o drive pareça crescer junto com a execução.
Apesar dessa associação com o universo Dumble, existe bastante ganho disponível e o circuito pode avançar para regiões muito mais agressivas, com uma resposta que começa a lembrar amplificadores britânicos trabalhando em volumes elevados.
Do outro lado está o Super Sport.
Ele nasceu como uma evolução mais agressiva do Direct Drive e trabalha uma região mais diretamente ligada aos grandes sons britânicos de guitarra.
O resultado é um drive com ataque forte, bastante presença e uma faixa de ganho capaz de sair de um crunch encorpado para timbres muito mais saturados.
É um lado particularmente interessante para quem procura aquela sensação de amplificador modificado, com bastante harmônico, sustain e definição suficiente para que riffs e acordes continuem aparecendo mesmo com o ganho elevado.
No Astrodrive, uma chave permite escolher entre essas duas personalidades.
De um lado, temos a resposta mais cheia, dinâmica e refinada do Burn Unit.
Do outro, a agressividade e o caráter britânico do Super Sport.
Mas existe ainda uma segunda chave que amplia bastante as possibilidades do circuito.
Ela modifica a relação entre harmônicos e dinâmica, alterando não apenas a equalização percebida, mas a própria sensação do pedal sob os dedos.
Em uma configuração, o som ganha mais conteúdo harmônico e uma resposta ligeiramente mais comprimida, aproximando o comportamento de amplificadores vintage trabalhando com força.
Em outra, o circuito fica mais aberto, articulado e dinâmico, permitindo que diferenças na intensidade da palhetada apareçam com muito mais clareza.
Essa combinação é especialmente útil porque permite adaptar o pedal à guitarra e ao amplificador utilizados.
Captadores mais fortes podem se beneficiar de uma resposta mais aberta.
Single coils podem ganhar corpo e sustain através das configurações mais ricas em harmônicos.
O pedal conta ainda com controles de Volume, Drive e Tone.
O Drive determina a quantidade de saturação e trabalha de maneira diferente dependendo da voz selecionada.
O Tone permite controlar a região aguda, deixando o som mais aberto ou aparando o excesso de brilho.
O Volume define o nível geral de saída e também permite utilizar o Astrodrive para empurrar o próximo estágio da cadeia.
Essa estrutura relativamente simples esconde uma variedade enorme de possibilidades.
O Astrodrive pode trabalhar como um overdrive leve e responsivo, como um drive principal de médio ganho ou entrar em regiões muito mais saturadas e agressivas.
Mais importante, ele consegue fazer isso através de duas escolas de timbre diferentes.
Na edição de maio e junho de 2024, trouxemos o Astrodrive para o Clube justamente por essa versatilidade.
Um único pedal capaz de passear entre a resposta refinada e dinâmica dos drives inspirados em Dumble e a força dos grandes timbres britânicos, com controle suficiente para adaptar cada uma dessas personalidades ao músico, à guitarra e ao amplificador.
