Na edição de maio e junho de 2025 do Clube de Pedais Velouria, revisitamos uma das grandes referências do universo dos overdrives de alto nível.
O S²-3 nasceu a partir do Pete Cornish SS-3, pedal conhecido por entregar uma saturação encorpada, dinâmica e extremamente cuidadosa com o caráter original da guitarra.
Pete Cornish ocupa um lugar bastante particular na história dos equipamentos para guitarra.
Durante décadas, seu trabalho esteve ligado à construção de sistemas profissionais para alguns dos maiores guitarristas do mundo, desenvolvendo pedalboards, buffers, sistemas de roteamento e efeitos pensados para funcionar com confiabilidade e qualidade de sinal em grandes palcos e estúdios.
Essa mesma filosofia aparece no SS-3.
Não estamos falando de um overdrive criado apenas para produzir uma grande quantidade de saturação.
A proposta é preservar aquilo que acontece antes dele.
A personalidade dos captadores, a dinâmica da guitarra e as diferenças entre instrumentos continuam fazendo parte do resultado mesmo quando o pedal começa a comprimir e gerar novos harmônicos.
O próprio Cornish descreve o SS-3 como um circuito capaz de trabalhar muito bem em crunchs rítmicos e leads mais espessos, com uma resposta próxima à de um amplificador valvulado vintage.
Uma característica especialmente importante é a preservação da região grave.
Muitos overdrives reduzem bastante os graves antes da saturação para evitar que o som perca definição.
Essa abordagem pode ser extremamente eficiente, mas também cria uma assinatura tonal bastante específica.
O SS-3 segue por outro caminho.
Existe corpo na região grave sem que o som necessariamente se transforme em uma massa difícil de controlar.
Os médios permanecem presentes, mas sem aquela sensação de uma frequência específica dominando todo o timbre.
Isso ajuda a criar uma saturação cheia e encorpada que ainda respeita bastante a voz natural da guitarra.
Foi esse equilíbrio que buscamos no S²-3.
O pedal conta com controles de Sustain, Bass, Treble e Volume.
O Sustain determina o quanto o circuito entra em saturação.
Em ajustes mais baixos, o S²-3 trabalha em uma região de crunch aberto e responsivo, acrescentando textura e compressão sem transformar completamente o sinal.
Conforme o Sustain aumenta, as notas ganham corpo e duração.
O drive fica mais espesso, aparecem mais harmônicos e o pedal começa a assumir uma função muito mais evidente como fonte principal de saturação.
Os controles de Bass e Treble permitem moldar os extremos do espectro sem depender de uma curva fixa de equalização.
Bass determina o peso e a extensão da região grave.
Treble controla o brilho, o ataque e o conteúdo harmônico superior.
Essa combinação permite ajustar o pedal de maneira bastante precisa para diferentes guitarras e amplificadores.
Com humbuckers, por exemplo, é possível controlar o excesso de graves sem perder corpo.
Com single coils, o circuito pode acrescentar densidade e sustain enquanto o Treble ajuda a encontrar exatamente a quantidade desejada de brilho.
O Volume completa o conjunto e oferece controle sobre o nível enviado ao restante da cadeia.
Isso também permite utilizar o S²-3 de diferentes maneiras.
Ele pode funcionar como um overdrive principal.
Pode acrescentar apenas uma camada de saturação a um amplificador já trabalhando.
Ou pode ser utilizado para empurrar outro estágio de ganho e criar uma resposta ainda mais complexa.
A relação do SS-3 com David Gilmour também contribuiu para a reputação do circuito.
Pete Cornish cita o pedal entre os modelos utilizados por Gilmour, e sua característica de combinar sustain, clareza e preservação da identidade do instrumento ajuda a entender por que esse tipo de drive funciona tão bem em sons grandes e detalhados.
Não é necessário utilizar uma enorme quantidade de distorção para fazer uma guitarra parecer poderosa.
Às vezes, preservar dinâmica, graves e definição enquanto se acrescenta sustain é muito mais importante.
Na edição de maio e junho de 2025, o S²-3 trouxe essa filosofia para o Clube.
Um overdrive feito para acrescentar saturação sem apagar aquilo que veio antes dela, transformando o sinal enquanto ainda permite que guitarra, captadores e músico continuem reconhecíveis dentro do som.
