Na edição de março e abril de 2021 do Clube de Pedais Velouria, voltamos ao universo dos fuzzes com o Apple Pie, pedal desenvolvido a partir do Candy Apple.
Dentro da história do Clube, os fuzzes sempre ocuparam um lugar importante. Eles permitem revisitar não apenas diferentes níveis de saturação, mas também diferentes maneiras de o circuito interagir com a guitarra, com a dinâmica do músico e com o restante do setup.
Cada arquitetura de fuzz carrega uma forma própria de comprimir, responder ao ataque e reorganizar o conteúdo harmônico do instrumento. É justamente essa personalidade que torna essa categoria tão fascinante.
No caso do Apple Pie, o ponto de partida foi um circuito capaz de atravessar mais de um território sem perder identidade.
A proposta combina uma boa quantidade de ganho com uma resposta tonal moldável, permitindo sair de um som mais espesso e sustentado para regiões mais abertas, agressivas e recortadas. É um fuzz que não depende apenas de massa sonora. Existe também articulação suficiente para que diferentes regulagens revelem comportamentos distintos.
O pedal conta com controles de Volume, Fuzz, Tone e Bias, e essa combinação já mostra que estamos lidando com um circuito bastante flexível.
O controle de Fuzz determina a intensidade da saturação, levando o pedal de uma sujeira mais contida até um som muito mais denso e carregado.
O Tone permite trabalhar a região aguda e a presença geral do circuito, ajustando o pedal para respostas mais fechadas ou mais cortantes.
Já o Bias é uma das chaves para ampliar a personalidade do Apple Pie.
Ao alterar o ponto de operação do circuito, ele muda a textura da saturação, a forma como as notas sustentam e até o tipo de compressão percebida sob os dedos. Em determinadas regulagens, o fuzz permanece relativamente cheio e estável. Em outras, começa a surgir uma resposta mais áspera, quebradiça e rica em caráter.
Isso torna o Apple Pie especialmente interessante porque ele não precisa ficar preso a um único tipo de uso.
Pode funcionar como um fuzz encorpado e musical para riffs e linhas cantadas. Pode partir para um território mais agressivo e recortado. Pode ainda explorar uma região mais instável, em que a textura do circuito passa a ser tão importante quanto a nota em si.
A interação com o volume da guitarra e com outros pedais também abre novas possibilidades.
Como acontece com muitos fuzzes, pequenas mudanças antes do circuito podem alterar bastante seu comportamento. A maneira como o instrumento entra no pedal, a posição dos captadores e a intensidade da palhetada ajudam a definir o quanto o som ficará mais liso, mais comprimido ou mais rasgado.
No contexto do Clube, o Apple Pie representa muito bem uma das ideias que sempre acompanharam o projeto.
Mais do que repetir fórmulas consagradas, o objetivo é encontrar circuitos com personalidade suficiente para render uma nova leitura e uma nova experiência de uso.
O Apple Pie nasceu exatamente desse espírito. Um fuzz com identidade própria, possibilidades amplas de regulagem e aquele tipo de comportamento que convida o músico a explorar o pedal além do ajuste mais óbvio.
