Na edição de março e abril de 2024 do Clube de Pedais Velouria, voltamos ao universo das modulações com a releitura de um dos tremolos mais interessantes e versáteis já produzidos, o Voodoo Lab Tremolo.

A proposta desse circuito parte diretamente da sonoridade dos tremolos encontrados em amplificadores valvulados antigos.

Em vez de buscar apenas uma variação simples de volume, o Voodoo Lab utiliza uma arquitetura óptica baseada em lâmpada e fotocélula, princípio encontrado em diversos amplificadores clássicos.

Esse tipo de tremolo possui um movimento particularmente orgânico.

A sensação é menos rígida e mais fluida, com a intensidade crescendo e diminuindo de maneira natural. Em regulagens suaves, o efeito pode praticamente desaparecer dentro do timbre, acrescentando apenas uma pequena pulsação.

Com mais intensidade, o movimento passa a assumir um papel muito mais evidente.

Foi justamente essa amplitude de possibilidades que serviu como ponto de partida para nossa versão.

O pedal conta com controles de Intensity, Speed, Slope e Volume.

Intensity determina a profundidade da modulação.

Em ajustes menores, temos aquele tremolo discreto e musical bastante associado aos amps antigos. Conforme o controle aumenta, a diferença entre os pontos mais altos e baixos da modulação se torna cada vez mais pronunciada.

Speed controla a velocidade desse movimento.

É possível trabalhar com pulsações lentas e largas, ótimas para acordes e texturas mais atmosféricas, ou levar o circuito para velocidades maiores, criando uma sensação muito mais intensa.

O grande diferencial está no Slope.

Esse controle modifica a forma como o volume sobe e desce ao longo da modulação.

Com o Slope em regulagens mais suaves, o movimento permanece arredondado e tradicional.

Conforme o controle aumenta, a transição fica mais abrupta.

O tremolo começa a abandonar aquele comportamento clássico e entra em uma região mais agressiva, podendo chegar a um efeito próximo de um corte rítmico ou stutter.

Isso amplia bastante o vocabulário do pedal.

O mesmo circuito pode produzir desde uma modulação discreta, perfeita para acrescentar movimento sem dominar o timbre, até pulsações extremamente marcadas e experimentais.

O controle de Volume acrescenta ainda outra possibilidade importante.

Tremolos podem gerar uma sensação de perda de volume quando ligados, principalmente em ajustes mais profundos. Com um controle dedicado de saída, é possível compensar essa diferença e manter o nível desejado.

Também é possível utilizar essa reserva de volume para empurrar o próximo estágio da cadeia, fazendo com que o pedal trabalhe parcialmente como um booster.

Essa combinação transforma o circuito em algo muito mais versátil do que um tremolo tradicional.

Ele pode ser delicado, quase invisível.

Pode trazer a pulsação clássica dos amplificadores vintage.

Pode funcionar em texturas psicodélicas.

E pode ser levado até regiões muito mais agressivas e ritmicamente marcadas.

Na edição de março e abril de 2024, trouxemos essa arquitetura para o Clube justamente por reunir duas características que sempre valorizamos.

Uma sonoridade clássica e imediatamente reconhecível, mas acompanhada de controles que permitem levá-la muito além do ponto de partida.

Um tremolo simples de entender, mas difícil de esgotar.