Na edição de novembro e dezembro de 2020 do Clube de Pedais Velouria, exploramos um circuito ligado diretamente a uma das arquiteturas mais importantes da história da amplificação. O BassLord nasceu como um preamp baseado no Fender Bassman, adaptado para funcionar como um pedal compacto, prático e musical.
O Bassman surgiu no início dos anos 50 como um amplificador pensado originalmente para contrabaixo, mas sua história rapidamente ultrapassou esse ponto de partida.
Ao longo do tempo, diferentes versões do Bassman passaram a conquistar também guitarristas, principalmente pela combinação entre corpo, dinâmica, firmeza nos graves e uma resposta extremamente musical quando levada à saturação.
Poucos circuitos influenciaram tanto a linguagem da amplificação quanto o Bassman.
Em especial, suas versões clássicas ajudaram a definir uma forma de organizar graves, médios e agudos que se tornaria referência por décadas. Existe um equilíbrio muito característico nesse tipo de arquitetura. Os graves podem ser grandes e cheios, mas sem perder articulação. Os médios permanecem presentes e úteis dentro da mix. Os agudos aparecem com brilho e clareza, sem necessariamente se tornarem ásperos.
Quando essa base é levada para um formato de preamp, o resultado passa a funcionar como uma ferramenta extremamente versátil.
O pedal pode servir para empurrar o amplificador, reorganizar a equalização do instrumento ou atuar como um verdadeiro centro tonal dentro do setup. Dependendo da regulagem, ele pode acrescentar abertura, presença, peso e até uma sensação de amp-like muito evidente ao sinal.
No BassLord, essa proposta aparece através de uma estrutura simples e eficiente, com controles de Level, Bass, Mids e Treble, além de uma chave Bright.
Essa combinação permite explorar várias facetas do circuito.
A chave Bright ajuda a destacar a região aguda e trazer mais ataque e definição, especialmente útil quando o pedal está empurrando um amplificador mais escuro ou quando se busca uma resposta mais viva. Já a equalização de três bandas permite moldar o som com liberdade, indo de regulagens encorpadas e cheias até respostas mais abertas e cortantes.
O resultado é um pedal que pode funcionar em diferentes papéis.
Em um setup mais limpo, o BassLord pode acrescentar aquela sensação de grandeza e firmeza típica de um bom preamp. Diante de um amplificador já no limite, pode empurrar o sinal e alterar a maneira como a saturação acontece. Em cadeias maiores, também pode servir como uma base tonal para organizar outros drives e fuzzes colocados depois.
Na história do Clube, o BassLord marcou mais uma ampliação de território.
Depois de fuzzes, boosters, compressores, filtros, octave fuzzes e distorções clássicas, chegava a vez de revisitar uma arquitetura associada muito mais ao universo dos amplificadores do que ao dos pedais.
Transformar esse tipo de linguagem em um formato compacto era justamente parte do desafio.
O BassLord nasceu dessa ideia. Levar para o chão um pouco da autoridade, da dinâmica e da musicalidade de um dos grandes nomes da amplificação.
