Na edição de novembro e dezembro de 2024 do Clube de Pedais Velouria, fomos atrás de um dos fuzzes mais raros e peculiares surgidos na Inglaterra durante os anos 60.

O Electronic Buzz Sound Generator nasceu a partir do Baldwin Burns Buzzaround, circuito produzido em pequenas quantidades entre meados e o final daquela década e que, com o passar dos anos, se transformou em verdadeiro objeto de culto entre colecionadores e apaixonados por fuzz.

O Buzzaround pertence à mesma grande era que produziu Tone Bender e Fuzz Face, mas sua personalidade é bastante diferente.

Seu circuito utiliza três transistores e produz uma saturação com bastante sustain, médios fortes e uma textura que consegue ser ao mesmo tempo cheia e agressiva.

É justamente essa combinação que torna o pedal tão particular.

Existe bastante corpo na saturação, mas ele não apresenta aquela sensação extremamente cavada encontrada em alguns fuzzes posteriores. Os médios permanecem presentes e ajudam as notas a aparecerem com facilidade, mesmo quando o circuito está produzindo grandes quantidades de ganho.

O resultado ocupa uma região curiosa.

Em alguns ajustes, existe algo da agressividade dos primeiros Tone Benders.

Em outros, o sustain e a densidade começam a apontar para aquilo que seria explorado mais tarde por circuitos como o Big Muff.

Mas o Buzzaround nunca soa exatamente como nenhum dos dois.

O projeto original possuía controles de Sustain, Balance e Timbre. O Balance tinha uma influência importante sobre o comportamento e o ponto de operação do estágio final, enquanto o Timbre trabalhava simultaneamente a resposta tonal e o nível de saída.

Essa interação é parte fundamental da personalidade do circuito.

Não existe apenas um botão para escolher mais ou menos fuzz. Alterar um parâmetro modifica a maneira como os outros respondem, permitindo sair de sons relativamente firmes e definidos até texturas mais comprimidas, ásperas e instáveis.

Na nossa interpretação, organizamos essa ideia através dos controles de Volume, Fuzz, Texture e Tone.

O Volume oferece controle direto sobre o nível de saída.

Fuzz determina a intensidade geral da saturação.

Tone permite moldar a resposta de frequências e adaptar o pedal ao instrumento e ao amplificador.

Já o Texture trabalha justamente naquela região em que o comportamento do circuito começa a mudar, alterando a sensação de compressão, sustain e a maneira como as notas se desfazem dentro do fuzz.

Essa combinação amplia bastante as possibilidades de um circuito que originalmente exigia uma interação um pouco menos intuitiva entre seus controles.

Com regulagens mais equilibradas, o Electronic Buzz Sound Generator consegue produzir um fuzz grande e cheio, mas com definição suficiente para que melodias e acordes continuem aparecendo.

Ao explorar regiões mais extremas, a textura passa a assumir um papel maior.

A saturação fica mais áspera, os harmônicos aparecem com mais força e o circuito revela aquele lado estranho e imprevisível que faz tantos fuzzes antigos continuarem interessantes décadas depois de sua criação.

A associação do Buzzaround com Robert Fripp também ajudou a construir parte de sua reputação.

O pedal foi utilizado por Fripp em gravações do período de Giles, Giles & Fripp e acabou ficando fortemente ligado à busca pelos seus primeiros timbres de fuzz. Ao longo dos anos, algumas gravações posteriores também foram atribuídas ao Buzzaround, embora o próprio Fripp tenha contestado especificamente a ideia de que o pedal tenha sido utilizado em Heroes, de David Bowie.

Isso não diminui a importância do circuito.

Pelo contrário, mostra como um pedal produzido em quantidades muito pequenas conseguiu deixar uma impressão grande o suficiente para continuar sendo discutido, reproduzido e reinterpretado quase sessenta anos depois.

Na edição de novembro e dezembro de 2024, trouxemos essa arquitetura para o Clube justamente por isso.

O Electronic Buzz Sound Generator é nossa leitura de um fuzz raro, cheio de médios, sustain e personalidade, vindo de uma época em que os fabricantes ainda estavam descobrindo quantas maneiras diferentes existiam de destruir o sinal de uma guitarra.