Na quarta edição do Clube de Pedais Velouria, voltamos nossa atenção para um circuito que, apesar de simples e relativamente discreto, acabaria se tornando uma das grandes referências de overdrive de baixo ganho.

O Break the Blues nasceu a partir da primeira versão do Marshall Bluesbreaker, pedal lançado no início dos anos 90 com a proposta de transportar para um formato compacto parte da resposta dos amplificadores britânicos clássicos.

Ao contrário de muitos overdrives que utilizam uma forte alteração de equalização como parte de sua identidade, o Bluesbreaker ficou conhecido por uma resposta mais aberta e natural. Sua saturação aparece de maneira progressiva, preservando boa parte do ataque da guitarra e permitindo que a dinâmica da execução continue presente mesmo com o pedal ligado.

É um tipo de drive que trabalha especialmente bem naquela região em que o som limpo começa a se transformar em crunch.

Com pouco ganho, acrescenta corpo, harmônicos e uma leve compressão ao sinal. Conforme a saturação aumenta, surge uma textura mais granulada, mas ainda bastante articulada e sensível à intensidade da palhetada.

Essa característica fez com que a arquitetura do Bluesbreaker se tornasse extremamente influente. Ao longo das décadas seguintes, inúmeras interpretações apareceram a partir daquela ideia original, muitas delas buscando justamente ampliar alguns dos limites do circuito.

Foi esse caminho que seguimos com o Break the Blues.

Partimos da primeira versão do Marshall Bluesbreaker e trabalhamos sobre alguns pontos que considerávamos importantes para tornar o circuito mais funcional em diferentes situações.

Uma das mudanças foi a correção da perda de headroom presente no projeto original. Também trabalhamos a região aguda para deixar a resposta mais equilibrada, mantendo o caráter aberto do circuito sem permitir que algumas regulagens se tornassem excessivamente ásperas.

A proposta não era transformar o Bluesbreaker em um pedal completamente diferente. O objetivo era preservar aquilo que torna esse circuito interessante, especialmente sua dinâmica, transparência relativa e maneira natural de entrar em saturação, enquanto refinávamos aspectos que poderiam limitar seu uso.

O resultado foi um overdrive capaz de funcionar tanto como uma extensão do próprio amplificador quanto como uma primeira camada de ganho dentro de uma cadeia maior.

Em regulagens mais baixas, o Break the Blues acrescenta textura e presença sem esconder a personalidade do instrumento. Com mais ganho, entra em um território de crunch encorpado e responsivo, mantendo definição suficiente para acordes e passagens mais complexas.

Na história do Clube, o Break the Blues também marcou mais uma mudança de direção. Depois de fuzz, treble booster e envelope filter, chegava a vez de explorar uma das arquiteturas de overdrive que mais influenciariam o desenvolvimento dos pedais de baixo ganho nas décadas seguintes.

Um circuito que não chama atenção pelo excesso, mas justamente pela maneira como reage ao músico.