Na edição de setembro e outubro de 2022 do Clube de Pedais Velouria, revisitamos uma das famílias de overdrive mais conhecidas da história, mas através de uma de suas versões menos lembradas.
O Screamer nasceu a partir do Ibanez TS10 Tube Screamer, modelo lançado na segunda metade dos anos 80 como parte da Power Series da Ibanez. Apesar de carregar a mesma linhagem dos famosos TS808 e TS9, o TS10 acabou seguindo um caminho próprio e durante muitos anos ficou escondido atrás de seus antecessores mais famosos.
A ideia fundamental do Tube Screamer permanece presente.
O circuito produz uma saturação relativamente suave e comprimida, acompanhada daquela conhecida concentração de energia na região média. Ao mesmo tempo, parte dos graves é controlada antes que o sinal seja saturado, ajudando a manter definição mesmo quando o pedal está empurrando um amplificador já próximo da distorção.
É justamente essa característica que transformou o Tube Screamer em uma ferramenta muito maior do que simplesmente um overdrive.
Com o ganho mais baixo e bastante volume, ele pode funcionar como um boost que reorganiza o sinal antes de chegar ao amplificador.
Os graves ficam mais firmes.
Os médios avançam.
O ataque ganha presença.
E o estágio seguinte recebe um sinal mais forte e focado.
Essa utilização acabou se tornando tão importante quanto o próprio som de overdrive produzido pelo circuito.
Com mais ganho, o comportamento muda.
A saturação do próprio pedal passa a assumir um papel maior e aparece aquela textura arredondada, comprimida e bastante musical que tornou a família Tube Screamer uma referência.
O TS10 preserva essa linguagem, mas pertence a uma geração diferente da série. A Ibanez iniciou sua produção em 1986 dentro da Power Series, depois das primeiras fases do TS808 e TS9.
No Screamer, partimos justamente dessa versão menos óbvia da família.
Os controles seguem a lógica clássica de Drive, Tone e Level.
Drive determina quanto o circuito entra em saturação.
Com valores menores, o pedal preserva mais ataque e funciona especialmente bem empurrando o amplificador ou outro estágio de ganho.
Conforme o Drive aumenta, aparecem mais compressão, sustain e conteúdo harmônico.
Tone trabalha principalmente a região mais alta do espectro, permitindo ajustar o equilíbrio entre uma resposta mais suave e um som mais aberto e cortante.
Level controla o volume enviado para o restante da cadeia e é uma parte fundamental da experiência desse tipo de circuito.
É através dele que o Screamer pode deixar de ser apenas um overdrive e se transformar em uma ferramenta para modificar completamente a resposta de outro pedal ou amplificador.
Isso explica por que essa arquitetura atravessou tantas décadas.
Um Tube Screamer pode ser o drive principal de um setup, mas também pode funcionar como uma espécie de etapa intermediária que organiza tudo o que vem depois.
Pode apertar os graves de uma distorção pesada.
Pode acrescentar médios para fazer um solo aparecer melhor na mix.
Pode empurrar um amplificador já saturado.
Ou pode simplesmente produzir aquele crunch comprimido e responsivo que se tornou uma das grandes referências do overdrive.
Na edição de setembro e outubro de 2022, o Screamer trouxe para o Clube justamente um capítulo menos lembrado dessa história.
Não o TS808.
Não o TS9.
Mas o TS10, uma versão que durante muitos anos permaneceu à sombra dos modelos mais famosos e que acabou encontrando seu próprio espaço entre os fãs da família Tube Screamer.
