Na edição de setembro e outubro de 2024 do Clube de Pedais Velouria, revisitamos uma pequena raridade da história da Boss.
O Pocket Preamp nasceu a partir do Boss FA-1 FET Amplifier, um pré amplificador compacto desenvolvido no início dos anos 80 e que acabou conquistando uma reputação muito maior do que seu tamanho poderia sugerir.
O FA-1 pertence a uma época bastante curiosa da Boss.
Em vez do tradicional formato de pedal que acabaria se tornando praticamente uma linguagem universal da marca, ele foi construído como uma pequena unidade portátil. A ideia era oferecer um amplificador e modelador de sinal extremamente compacto, capaz de trabalhar entre a guitarra e outros equipamentos.
Seu circuito utiliza tecnologia FET e oferece controles de Volume, Bass e Treble, além de uma chave de corte de graves.
Parece simples, mas é justamente nessa simplicidade que está grande parte da graça do FA-1.
Um bom pré amplificador não precisa necessariamente produzir uma quantidade evidente de distorção para transformar o som.
Ele pode alterar a maneira como o instrumento interage com tudo aquilo que vem depois.
Pode acrescentar presença.
Pode reorganizar graves e agudos.
Pode aumentar o nível enviado para um amplificador ou outro pedal.
E pode modificar a própria sensação de resposta sob os dedos.
O FA-1 acabou ficando conhecido justamente por essa capacidade de acrescentar definição e vida ao sinal.
Com o Volume em níveis mais moderados, funciona como uma ferramenta de equalização e condicionamento do timbre.
Ao aumentar a saída, passa a trabalhar também como um poderoso booster.
Diante de um amplificador limpo, pode simplesmente aumentar nível e presença.
Em um amp próximo da saturação, o resultado muda completamente.
O sinal mais forte começa a empurrar os primeiros estágios do amplificador, gerando compressão, novos harmônicos e mais drive.
A mesma lógica funciona quando o FA-1 é colocado antes de outros pedais de ganho.
Em vez de substituir a saturação existente, ele pode alterar a maneira como ela acontece.
O controle de Bass permite trabalhar o peso e o corpo do sinal, enquanto Treble determina quanto ataque e brilho serão enviados para os próximos estágios.
A chave Flat e Low Cut acrescenta outra possibilidade importante.
No modo Flat, o pedal preserva a extensão de graves e permite utilizar sua equalização de forma mais ampla.
Ao selecionar Low Cut, parte das frequências graves é removida antes que o restante da cadeia seja empurrado.
Isso pode ser extremamente útil diante de amplificadores saturados ou pedais de alto ganho, já que reduzir o excesso de graves antes da distorção costuma produzir uma resposta mais firme e articulada.
Foi esse conjunto de possibilidades que trouxemos para o Pocket Preamp.
Nossa releitura mantém a proposta direta do FA-1, com Volume, Bass, Treble e seleção entre Flat e Low Cut, transformando aquele pequeno pré amplificador dos anos 80 em um pedal pronto para integrar um setup moderno.
Ele pode funcionar como um modelador de timbre sempre ligado.
Pode ser utilizado para ajustar diferentes guitarras ao mesmo amplificador.
Pode recuperar presença em uma cadeia longa.
Pode empurrar drives e fuzzes.
Ou simplesmente aumentar o sinal até fazer o próprio amplificador trabalhar de outra maneira.
Essa versatilidade também ajuda a explicar por que o FA-1 acabou aparecendo nos setups de guitarristas como The Edge, David Gilmour e Rory Gallagher.
No caso de Gilmour, o FA-1 continuou aparecendo décadas depois de seu lançamento. Durante as sessões de Rattle That Lock, por exemplo, uma unidade foi utilizada junto à Electric Mistress em seu setup de gravação.
É um bom exemplo de como um equipamento aparentemente simples pode se tornar uma ferramenta extremamente musical quando colocado no lugar certo da cadeia.
Na edição de setembro e outubro de 2024, o Pocket Preamp trouxe de volta justamente essa ideia.
Não um efeito criado para transformar completamente a guitarra, mas uma pequena ferramenta capaz de transformar a maneira como todo o restante do equipamento responde a ela.
