Na edição de setembro e outubro de 2025 do Clube de Pedais Velouria, entramos em um território em que fuzz, oitavas e comportamento imprevisível começam a fazer parte do mesmo efeito.
O Erebus nasceu a partir do Lastgasp Art Laboratories Gomorrah, um fuzz japonês construído em torno de uma ideia bastante incomum.
Em vez de simplesmente acrescentar saturação ou gerar uma oitava fixa, o circuito cria sub harmônicos que dependem da intensidade do sinal de entrada.
Isso significa que a própria dinâmica do músico passa a controlar aquilo que acontece com a afinação.
Com um sinal forte, o circuito pode permanecer próximo da nota original.
Conforme a intensidade diminui, o som pode descer uma oitava.
Com um sinal ainda mais fraco, pode cair duas oitavas.
Essas mudanças não acontecem da maneira perfeitamente previsível de um pitch shifter digital.
Elas dependem do ataque, da sustentação da nota, do instrumento e da intensidade do sinal naquele exato momento.
O resultado é uma espécie de sistema instável de geração de sub harmônicos.
Uma nota pode começar em uma frequência, descer uma oitava durante o sustain e terminar ainda mais grave.
Em determinadas situações, os saltos sucessivos criam algo próximo de um arpejador aleatório.
É justamente essa falta de previsibilidade que torna o circuito tão interessante.
O Erebus responde diretamente à maneira como o músico toca.
Uma palhetada forte pode produzir um comportamento.
Tocar a mesma nota suavemente pode gerar outro completamente diferente.
Conforme a nota perde intensidade, o próprio pedal continua transformando aquilo que está acontecendo.
O circuito conta com controles de Level, Tone e Sens, além da chave de seleção entre SB e OT.
Level determina o volume geral do efeito.
Tone permite moldar a resposta de frequências e controlar quanto da agressividade e dos harmônicos do fuzz aparece no resultado.
O Sens é fundamental para a personalidade do pedal.
Ele determina a sensibilidade do circuito ao sinal de entrada e, consequentemente, influencia quando essas mudanças de oitava começam a acontecer.
Pequenos ajustes podem alterar significativamente a maneira como o Erebus reage à dinâmica da guitarra.
A chave SB e OT oferece dois comportamentos distintos.
No modo SB, o foco está nos sub harmônicos e nas oitavas inferiores.
É aqui que aparecem os sons mais graves, sintetizados e imprevisíveis, especialmente interessantes em notas isoladas.
No modo OT, o circuito trabalha uma resposta mais rica em harmônicos superiores e assume uma personalidade de fuzz diferente, mais agressiva e carregada de textura.
Em acordes, o resultado pode se tornar completamente caótico.
O circuito precisa reagir simultaneamente às diferentes frequências presentes no sinal e os harmônicos começam a interagir entre si.
Em notas únicas, especialmente com um ataque bem controlado, é possível ouvir com muito mais clareza os saltos de afinação e as oitavas inferiores surgindo durante o sustain.
Isso faz do Erebus um pedal que exige um pouco mais do músico.
Não porque seja difícil de utilizar, mas porque sua personalidade aparece justamente através da interação.
É preciso experimentar diferentes regiões do braço, intensidades de palhetada, captadores e regulagens para descobrir como o circuito reage.
E dificilmente duas execuções serão exatamente iguais.
Na edição de setembro e outubro de 2025, o Erebus trouxe para o Clube uma interpretação de fuzz bastante distante das receitas tradicionais.
Não é simplesmente um fuzz com oitava.
É um circuito em que a intensidade da nota determina para onde o som pode ir.
Da nota original para uma oitava abaixo.
Depois para duas.
Do controle absoluto ao caos em poucos segundos.
Um daqueles pedais que não servem apenas para mudar o timbre, mas para mudar também a maneira de tocar.
