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O Astra nasceu a partir do Vox Tone Bender, mas não demorou muito para o projeto seguir seu próprio caminho.

Durante o desenvolvimento, fomos alterando a resposta de frequência, a polarização e a forma como o circuito satura até chegar a um fuzz que mantém aquele ataque rasgado, granulado e rico em harmônicos característico dos primeiros Tone Benders, mas com uma resposta muito mais cheia, dinâmica e imediata à palhetada.

O controle Body determina a quantidade de graves que entra no estágio de saturação e é uma das partes centrais do Astra.

Girando para a direita, mais graves alimentam o fuzz, aumentando a compressão, o peso e a massa sonora. O ataque fica mais gordo, as notas parecem se juntar em uma parede maior de som e o circuito entra naquele território de fuzz cheio, denso e com bastante punch.

No sentido anti-horário, o Astra muda bastante de personalidade. Com menos graves entrando na saturação, o som fica mais aberto, rápido e articulado, destacando o ataque da palheta e os harmônicos superiores. É onde aparecem timbres mais próximos daquele glass tone: secos, vítreos, estalados e extremamente responsivos, especialmente com acordes abertos ou controlando o ganho pelo volume da guitarra.

Entre esses dois extremos existe uma região enorme de sonoridades. O Astra pode trabalhar como um fuzz encorpado e comprimido para riffs e notas longas, assumir um caráter mais agressivo e cortante para linhas de guitarra que precisam atravessar a mix ou ficar mais seco e definido, quase na fronteira entre fuzz, booster saturado e overdrive.

O Attack controla a intensidade da saturação e trabalha diretamente com o Body. Em regulagens mais baixas, preserva ainda mais o ataque e a dinâmica do instrumento; aumentando o controle, surgem mais sustain, compressão e aquela textura rasgada que é parte fundamental da personalidade do circuito.

Na saída, o controle de Tone permite aparar os agudos sem modificar a maneira como o fuzz é gerado. Isso torna possível manter todo o brilho e a aspereza dos harmônicos para sons mais cortantes ou suavizar a parte superior do espectro para timbres mais densos, redondos e fáceis de encaixar em amplificadores brilhantes.

O Bias abre a região mais imprevisível do Astra. Em sua faixa mais convencional, permite encontrar o ponto em que o circuito responde com mais corpo e sustain. Conforme nos afastamos desse ponto, aparecem gating, sputter e texturas de velcro, com notas que se desfazem, ataques mais secos e decaimentos irregulares.

Combinando Bias, Body e Attack, é possível sair de um fuzz grande e sustentado para sons quase percussivos, com pouco sustain e bastante textura, além de regiões intermediárias em que as notas continuam definidas, mas carregam uma camada áspera e granulada ao redor do ataque.

Apesar de sua origem em um circuito dos anos 60, o Astra recebeu filtragem e adequações modernas, deixando o pedal mais silencioso, consistente e fácil de integrar a diferentes equipamentos sem retirar a interação direta entre guitarra e circuito. E essa interação é uma das características mais importantes do pedal.

O Astra limpa muito bem pelo controle de volume da guitarra. Ao recuar o volume, a compressão diminui, o ataque ganha destaque e os harmônicos mudam de comportamento progressivamente. Dependendo da regulagem de Body e Attack, é possível partir de um fuzz bastante cheio e chegar a sons brilhantes, articulados e quase cristalinos apenas trabalhando o instrumento.

O resultado é um fuzz que preserva o rasgado e a personalidade dos antigos Tone Benders, mas com mais corpo, punch, dinâmica e controle sobre sua resposta.

Pode ser grande e comprimido, seco e vítreo, agressivo e cortante, suave e dinâmico ou completamente gated e instável, e existe muita coisa interessante entre cada um desses extremos.

CONTROLES

Body: Controla a quantidade de graves enviada para a saturação. Menos Body produz uma resposta mais rápida, aberta e vítrea; mais Body aumenta peso, punch, compressão e massa sonora.
Attack: Controla a intensidade da saturação, sustain e compressão do fuzz.
Bias: Altera o ponto de operação do circuito, permitindo desde respostas mais abertas e sustentadas até texturas gated, sputter e velcro.
Tone: Controla a quantidade de agudos na saída do circuito.
Level: Volume de saída.

VÍDEOS